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sábado, 18 de maio de 2019

TÉCNICAS INFALÍVEIS DE EMAGRECIMENTO




A primeira técnica é facílima: o lábio inferior e o superior devem se encontrar e manter permanente contato ao longo do dia, de tal maneira que a língua e os dentes estejam por eles encobertos - impedindo, assim, a prática mastigatória. 

Já são dezenas de milhares de médicos brasileiros que defendem a prática, por motivos elementares. Sustentam eles que manter os lábios encostados um ao outro implica em gasto calórico mínimo, inibindo a fome. Em contraposição, o movimento muscular que o indivíduo faz para separá-los ao abrir a boca, acrescido ao esforço ósseo-articulatório de contração e expansão mandibular, resulta em cansaço e posteriormente em aumento de apetite - o que acarreta em mais ingestão de comida. 

Em consequência da inércia a ser observada pelo obeso que segue essa orientação, pode-se afirmar com toda certeza que não é preciso fazer NADA para emagrecer. Rigorosamente nada, e quanto mais nada se fizer, mais o emagrecimento engordará os resultados. Ainda que essa constatação possa parecer paradoxal.

Todavia, como em tudo na vida, a fórmula revolucionária encontra opositores ferrenhos na mesma medida em que arrebanha entusiastas. Argumentam os primeiros que, se as coisas fossem simples assim - ou seja, que para emagrecer basta que não se coma nada - médicos endocrinologistas já estariam milionários na prescrição do método a seus pacientes. 

Mas há outras novidades no horizonte. A dieta do carboidrato fatiado chega para bombar o já bilionário mercado das academias e clínicas de estética. Sua premissa é simples e a execução descomplicada. Sendo o carboidrato em geral constituído por carbono, hidrogênio e oxigênio, descobriu-se em pesquisas laboratoriais que é a ingestão simultânea desses compostos que causa o ganho de peso. Já o consumo isolado dos mesmos não acarretaria prejuízo algum à silhueta. Vai daí que a pessoa pode se fartar de sanduíche de carbono, oxigênio ao molho 4 queijos ou mesmo sucessivas empadas de hidrogênio que nenhum efeito engordativo se notará.

Há no entanto a salientar que o termo "fatiamento", aqui utilizado, se refere à ingestão em separado de cada um desses elementos, e não aos mesmos servidos em fatias numa mesma refeição (que causaria, fatalmente, o indesejado ganho de peso).

Uma outra corrente médica levanta a hipótese de que ingerir alimentos é uma atividade primitiva, a ser naturalmente banida dos nossos hábitos pela lei do uso e do desuso. Dizem seus postulantes que, assim como podemos extrair a vitamina D que necessitamos com dez ou quinze minutos diários de exposição ao sol, todos os demais nutrientes de que precisamos estão espalhados por aí, à nossa disposição sem que tenhamos necessidade de buscá-los, processá-los, mastigá-los, digeri-los e devolvê-los à natureza em forma de urina e fezes. Num futuro muito próximo, bastaria que botássemos o rosto para fora da janela de casa para que minúsculos sensores colocados atrás dos lóbulos da orelha se encarregassem de captar, em segundos, energia de sobra a um dia inteiro de trabalhos forçados na Sibéria. 





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terça-feira, 14 de maio de 2019

PRÉS & PÓS



Pré
Cine Theatro Aymoré
Os últimos lançamentos de Hollywood, só astros de primeira grandeza em ampla tela cinemascope e som estereofônico. Acomoda 974 pessoas confortavelmente sentadas, mais 81 nos camarotes. Sortida bombonière.

Pós
Congregação Mundial da Salvação pela Graça do Senhor, cultos todas as quartas às 18h30, todas as sextas às 21h e todos os domingos às 15h. Celebrante: Pastor Thomezinho, filho do consagrado Bispo Radamés. Convênio com Estacionamento Paraty. Para oferendas durante o culto, temos maquininha que aceita débito e crédito. 

Pré
O Almofadinha elegante
A linha completa de chapéus Cury e Ramenzoni, cartolas, suspensórios lisos e listrados, abotoaduras as mais diversas, galochas nacionais e importadas diretamente do estrangeiro, giz de alfaiate. Seção de armarinho para modistas, com retrozes, alfinetes de cabecinha, dedais de latão, estanho e prata. 

Pós
Baber Shop Lumberjack
Estilos e desenhos sugeridos por computador, de acordo com o formato do rosto. Em breve, tatoo instantânea.

Pré
Arranha-Céu majestoso
No Jardim Europa - bairro cujo futuro já está aqui.
Ao escolher um terreno para edificação da casa própria, vários fatores devem ser ponderados cuidadosamente por Vossa Senhoria. A escolha menos acertada poderá ser a causa de uma desvalorização repentina do prédio que lhe custou muito dinheiro. A vizinhança de fábricas, oficinas barulhentas e garagens movimentadas não é, por certo, a situação desejável para um lar tranquilo. São convidados os que porventura estejam descontentes ou mal situados presentemente a visitarem o arranha-céu decorado com móveis e utensílios, sem compromisso algum de aquisição. Instalações magníficas, com todo luxo e conforto. Louças sanitárias de primeira ordem, água quente a qualquer hora e eficientes bidês com ducha. Servido por elevadores de afamada marca suíça, aptos a subir e descer com até dezesseis pessoas (não obesas) por viagem. O prédio está aberto diariamente das 8 às 22 horas, à disposição dos senhores visitantes. Como retribuição às visitas, serviremos aos interessados uma coalhada supimpa.

Pós
Paraíso das Utilidades – tudo a R$0,99 ou menos
Um andar inteiro só de potinhos tupperware + 18 pisos separados por categoria: quintal, jardim, sala, quarto, churrasqueira, garagem. Piscina de bolinhas para seu filho se divertir enquanto você completa sua casa com economia e praticidade. Churrasco grego e cerveja Bavaria para os homens.



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sábado, 27 de abril de 2019

OS ENCOSTADOS, OS VAGABUNDOS E A NOVA PREVIDÊNCIA




Estes adendos à Proposta de Emenda Constitucional número 6 (PEC 6/2097), tratam da regulamentação das aposentadorias dos políticos que constituem na atual legislatura o Congresso Nacional da República Federativa das Bananas, em especial os seus dois mais numerosos grupos multipartidários: os Encostados e os Vagabundos.

Classificar-se-ão os chamados Políticos Encostados nas seguintes subcategorias:
. Encostados padrão encosto básico de aglomerado MDF;
. Encostados padrão encosto em ângulo reto de peroba maciça;
. Encostados padrão encosto de espuma injetada de segunda qualidade;
. Encostados padrão encosto de espuma laminada de primeira qualidade;
. Encostados padrão encosto reclinável em veludo;
. Encostados padrão encosto tipo Chesterfield, em couro legítimo.

A depender do Encosto Classificatório, estarão os senhores parlamentares sujeitos a regras de transição específicas que os habilitem, mediante cumprimento de normas transitórias a serem ainda estabelecidas, a evoluírem da condição de Encostados para a de Vagabundos, com consequente acréscimo de remuneração previsto na norma regimental 14/2784.

Já os chamados Políticos Vagabundos terão seus direitos previdenciários atrelados, a partir da promulgação da Reforma em curso, ao Sistema de Capitalização - onde os proventos auferidos em sua aposentadoria corresponderão ao total de vagabundagem acumulada em conta individual de cada parlamentar, descontada na fonte mês a mês. O cálculo reger-se-á pelas seguintes diretrizes, a serem aprovadas em definitivo por lei complementar:

. A cada 2 anos de vagabundagem, serão acrescidos ao saldo previdenciário do parlamentar o sacrifício de duas emendas, ou seja, o deputado ou senador terá que renunciar ao ato de emendar um feriado no meio da semana ao fim de semana seguinte, tendo que trabalhar normalmente como qualquer cidadão da República das Bananas.

. A cada 4 anos de vagabundagem, o parlamentar - deputado ou senador da República - será obrigado a apresentar ao menos um projeto de lei, ainda que este não conte com o mínimo amparo jurídico para aprovação.

. A cada 8 anos de vagabundagem, ou dois mandatos completos, o legislador inoperante fará jus à merecida aposentadoria.




ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO. ASSIM COMO É OBRA DE FICÇÃO A CRIMINOSA REFORMA DA PREVIDÊNCIA, QUE DENTRE OUTROS DISPARATES PREVÊ UMA REGRA DE TRANSIÇÃO ONDE:
HOMEM, 51 ANOS, 33 DE CONTRIBUIÇÃO, PODE SE APOSENTAR AOS 54 ANOS.
HOMEM, 51 ANOS, 32 ANOS E 364 DIAS DE CONTRIBUIÇÃO, SÓ PODE SE APOSENTAR AOS 62. A REGRA É VÁLIDA, EVIDENTEMENTE, APENAS PARA OS CIDADÃOS DE BEM E PAGADORES DE SEUS IMPOSTOS. OU SEJA, QUE NÃO SE ENQUADREM NEM NA CATEGORIA DE ENCOSTADO, NEM NA DE VAGABUNDO. 

Para saber mais sobre essa INSANIDADE, em vias de aprovação, acesse: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/02/transicao-cria-abismo-para-quem-esta-perto-de-se-aposentar-por-tempo-de-contribuicao.shtml




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domingo, 14 de abril de 2019

FALANTE TAMBÉM É GENTE




Os portadores de fala merecem o respeito da sociedade organizada e a observância aos seus direitos como seres humanos. 

Ao reivindicarem e obterem junto ao Congresso Nacional, há mais de sete anos, a aprovação de lei que obriga a colocação de botões de volume em todos os aparelhos de TV produzidos no país, os falantes sem dúvida deram um passo importantíssimo na luta pela sua inclusão social. 

Mas ainda há muito a ser feito. Embora quase nunca admitido, o preconceito é grande e agride a dignidade e a cidadania dos falantes todos os dias e das mais variadas formas – nas ruas, no transporte público, nas relações trabalhistas, nas redes sociais. E nem é preciso mencionar o quanto é importante o engajamento da nossa categoria profissional nessa dinâmica, abraçando a causa desses irmãos menos favorecidos. 

Queremos e merecemos ser mais do que meros tradutores de gestos para fala. Precisamos assumir um protagonismo mais abrangente e representativo. 

Além disso, iremos mais uma vez pleitear uma antiga reivindicação da classe: o aumento da área reservada ao nosso quadrinho no canto inferior direito da tela dos televisores. Qual a razão para um espaço tão diminuto? Por acaso nosso trabalho é menor ou menos importante para que nos caiba apenas essa insignificância?

Merecemos mais destaque. Nada justifica o fato de não ocuparmos a metade da tela, pois os deficientes que ainda dependem do recurso da fala para compreender o mundo e se comunicar são tão cidadãos quanto os mudos, ou as chamadas pessoas "normais". 

Se a mudez e o silêncio absoluto que norteiam o mundo moderno representam um progresso em nossa escala evolutiva, isso não pode ser pretexto para a segregação aos falantes - que representam apenas 0,06% da população, mas nem por isso merecem o descaso dos governos federal, estadual e municipal.  

Todos sabemos que a fala é um recurso primitivo, praticamente banido da civilização para dar lugar à linguagem gestual, expressivamente muito mais rica que o obsoleto uso da palavra. Porém, precisamos assumir coletivamente o compromisso de oferecer a esses deficientes o mesmo tratamento dispensado aos mudos. É justo que seja assim.



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sábado, 6 de abril de 2019

CHUMBO À MODA DA CASA



É pouco provável que você nunca tenha ouvido falar do Restaurante "Quilão do Janjão", tradicional self-service por quilo e referência na zona leste da nossa cidade. 

Do sistema de alimentação por peso, presente em tudo quanto é canto, também não há nada que se desconheça. Estabelece-se um preço a ser cobrado, determina-se o peso médio do prato e este é descontado do total marcado na balança, que é o chamado peso líquido - aquele que efetivamente será pago. 

Embora a sistemática de cobrança pareça muito simples e transparente, Janjão andou tendo problemas. Pensou até em fechar as portas do seu ganha-pão, tamanho o aborrecimento que passou - e continua passando, a bem da verdade.

Tudo começou quando um cliente antigo, de nome Demerval, se meteu a questionar que o peso de um prato vazio em relação a outro poderia variar muito, prejudicando o consumidor. De uma suspeita pessoal a coisa tomou ares de revolta, para em seguida se transformar em denúncia e logo após em abaixo-assinado na porta do estabelecimento.

Alguém argumentou que seria fácil liquidar de vez a discussão, pesando-se o prato à vista do cliente antes que se enchesse de comida e confrontar depois ao peso bruto. Assim não haveria dúvida do que estaria de fato sendo cobrado. Não tardou, porém, para que surgisse um freguês dizendo que o tempo de fila dobraria com esse expediente, encurtando o horário de almoço da freguesia. O problema seria ainda mais crítico nos dias úteis, quando a corrida contra o relógio é mais acelerada.  

A discussão se alongou por meses. Até que numa quarta, dia de feijoada com suco de graviola à vontade, Demerval reuniu boa parte da clientela mais assídua e apresentou uma solução para o impasse: substituir a balança de pratos por uma de gente. O sujeito se pesaria antes de servir-se e após o repasto, não dando assim margem a fraudes ou manipulações.  

A ideia, aparentemente óbvia, foi aclamada com vivas e aprovada por esmagadora maioria. Mas a alegria durou pouco. Levada à apreciação do dono do restaurante, a proposta foi recusada com veemência e com argumentos de peso (com o perdão do trocadilho). O proprietário alegou que o cliente poderia muito bem se pesar calçando palmilhas de chumbo ou trazendo, sob a cueca ou a calcinha, pesos que aumentassem o resultado obtido na pesagem pré-almoço. Uma vez aboletado à mesa, ele retiraria os pesos e os guardaria na pasta, se homem, ou na bolsa, se mulher, para usar no dia seguinte. E pronto, estava feita a falcatrua. Um prato com 600 gramas de comida se reduziria a 200, com o golpe.

O grupo a princípio se mostrou indignado com a malícia e a desconfiança do comerciante, mas depois rendeu-se à força dos argumentos, que de fato faziam sentido. Além do mais, artefatos como jóias, colares, relógios, braceletes e pulseiras teriam que ser removidos antes da pesagem inicial, causando constrangimento às pessoas e transformando um corriqueiro almoço em algo semelhante a um procedimento alfandegário de voo internacional. 

Enquanto a discussão não chega a um termo, o "Restaurante Kbeção" - que cobra preço único por cabeça, e não por quilo - faz a festa.



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domingo, 31 de março de 2019

ACEITA VINHO, SENHOR?




Sabia que não escaparia ninguém, pelo ruído incomum e pela fissura logo abaixo de uma das turbinas. Nem por isso sua mão tremeu mais ao servir vinho para o grisalho panamenho que dela não tirava os olhos desde o check-in em Los Angeles. A echarpe com centenas de loguinhos da companhia aérea disfarçava o suor frio. Seu olhar ia da taça de vinho à turbina condenada, da consciência do dever à certeza da tragédia, não havia clima nem vontade de corresponder à insinuação daquele homem.
Se tivesse idéia das cinzas a que nos reduziremos, não perderia os últimos momentos nesse joguinho infrutífero. Pense em sua mulher, senhor. Nos filhos, no cachorro, nos negócios, não em mim. Faça um ato de contrição, um nome do Pai, por favor, desmonte esse ar patético de cobiça carnal. Torça para que haja algo acima desses 14 mil pés.

Nenhuma movimentação estranha na cabine, ninguém além dela tinha percebido. Muitos dormiam e passariam do calor das mantas de bordo para o sono eterno sem darem pelo ocorrido. Para o não-ser sem escala e sem stress. Envolveu a taça de vinho do panamenho com o guardanapo.

- Thank you so much (com uma piscadela desavergonhada).

Adeus aos procedimentos protocolares e gestos contidos. Pegou a garrafa de vinho do carrinho de bebidas e começou a sorvê-la no gargalo, olhando de soslaio a turbina com defeito. Afrouxou o nó da echarpe e sorriu cúmplice para os próprios pensamentos. Viu-se a si mesma entre as nuvens, lendo “O apanhador no campo de centeio”.

O panamenho foi buscá-la com mais uma investida.
- Um milhão pelos seus pensamentos.
- Não valem isso. E tenho pra mim que poderiam assustá-lo.
- Isso são modos de uma aeromoça que se preze, beber no gargalo na frente dos passageiros?
Há de ser o primeiro a espatifar-se, pensou. Bem na janelinha da falha mecânica e se fazendo de gostoso. Que seja agora, no pileque, a inconsciência. Explodamos de uma vez.

(Mais um gole, bem sorvido. Trança as pernas)

Caiu sobre uma poltrona vazia e espiou pela janela. Sobre o Saara, agora.
Não cesse essa anestesia boa, quero inexistir feliz. Serão semanas de busca.

Riu.



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domingo, 24 de março de 2019

PARAÍSO DA TRAPAÇA



Tradicional loja da cidade, em local nobre e bem movimentado, passa o ponto com amplo sortimento de artigos para magia, ilusionismo, pegadinhas  e gozações para festas em geral, fantasias para carnaval e eventos temáticos, revólveres de brinquedo, réplicas de uniformes militares, camisas regata de salva-vidas e uma infinidade de outros produtos assemelhados. 

Fazem parte do estoque diversos modelos de dados viciados para casas de jogatina e roletas clandestinas, baralhos com cartas marcadas, mulheres cortadas ao meio, coelhos de cartola, varinhas de mágico, maiôs de partner e  moedas para sorteio que só caem no lado da coroa. 

Há ainda centenas de embalagens a vácuo contendo cobrinhas de borracha, cocôs de mentira, copos modelo babão, livros com mulher pelada na capa que dão choque quando abertos, cigarros explosivos, notas fajutas de dinheiro, baratas e escorpiões de plástico, gelos com mosca, almofadas do pum e chicletes que soltam tinta na boca. 

Acompanham também, no estado em que se encontram nos mostruários e manequins, variados chapéus de marinheiro/bruxa/mexicano/boia fria/policial rodoviário, narizes de palhaço, dentaduras do Drácula, perucas masculinas e femininas de diferentes comprimentos e materiais.

Assim se anunciava o “Paraíso da Trapaça” a possíveis interessados na aquisição do negócio, até meados da semana retrasada. A transação de transferência de propriedade foi efetivada anteontem, sendo o comprador um forasteiro com suposta experiência no ramo, e que se apresentou como um dos grandes players brasileiros no ramo do entretenimento. 

Poucas horas após concluída a venda do estabelecimento e respectivo estoque, o antigo proprietário do “Paraíso da Trapaça”, visivelmente transtornado, lavrou boletim de ocorrência no sétimo distrito policial. Argumentou a vítima que recebeu do comprador um cheque com fundo falso, sendo o contrato de compra e venda assinado com tinta à base de sangue do diabo – o que fez com que a assinatura fosse desaparecendo gradativamente até sumir de vez. Tanto a polícia quanto o advogado de defesa do vendedor apontam indiscutível má fé do adquirente, que com toda certeza irá responder criminalmente por tentativa de estelionato. 



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Imagem: reidasmagicas.com.br