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sábado, 10 de novembro de 2018

DOS TEMPOS EM QUE SE QUEIMAVA LITERALMENTE O FILME



Da escolha do filme em 12, 24 ou 36 poses à colocação na câmera, passando pela delicada operação de prender a lingueta exposta para fora do cartucho no carretel da máquina. Do acondicionamento do cartucho à checagem das pilhas, que precisam estar carregadas o suficiente para os disparos de flash.

Do ensaio de cada motivo, enquadramento, abertura de diafragma e tempo de exposição, escolha entre luz natural ou artificial ao clique que só quinze ou vinte dias depois se saberia se ficou ou não digno de legar à posteridade.

Da retirada do filme rebobinado da máquina à revelação do celuloide em uma espiral hermeticamente fechada por um tanque de plástico preto, numa etapa onde nenhum tipo de luz é permitida para não vedar o filme. O procedimento é executado unicamente pelo tato e com as mãos enluvadas, para que as digitais não marquem o negativo. Além disso, o tanque tem que ser chacoalhado o tempo todo, para que a química envolva o filme homogeneamente. 

Revelado, o rolo de celuloide é posto para secar no laboratório em varal apropriado com um peso na ponta, de maneira que não enrole e não danifique a base gelatinosa de emulsão de sais de prata, onde estão as imagens em negativo que posteriormente serão ampliadas para produzir a foto. 

Do negativo à ampliação em formato 18x24. Do ampliador fotográfico ao banho de revelador à base de hipossulfito de sódio. Da bacia de revelação ao preparado químico de interrupção, do interruptor ao banho fixador onde deverá permanecer por tempo mínimo de dez minutos. Da fixação à secagem dos instantâneos, em papel fotográfico. 

Da foto seca ao carimbo do fotógrafo no verso, onde constam telefone e endereço, para o corte de cada fotografia em guilhotina no tamanho encomendado. Das fotos agora prontas, acondicionadas em envelope devidamente identificado com nome do cliente, junto com os negativos e as cantoneiras suficientes para colocação no álbum, de forma que não sejam necessárias cola ou fita adesiva, que com o tempo iriam danificar e amarelar as fotografias.

Da loja de artigos fotográficos à casa, onde todos se engalfinham para ver o que se salvou ou não da primeira Eucaristia de Horácio Andrade de Melo e Souza, seguida por almoço comemorativo oferecido pelos padrinhos. 

Da triagem entre as que ficaram realmente boas, as mais ou menos, as que saíram na contra-luz e as irremediavelmente péssimas, à eleição das duas ou três com qualidade suficiente para irem ao porta-retrato. Ou o de bronze que fica em cima do piano, ou os de madeira entalhada na estante ao lado da lareira. 

Do tempo em que se tinha todo esse imenso trabalho para salvar do esquecimento os momentos importantes à banalidade do ato de fotografar - onde um close no cadarço do sapato esquerdo vai para a mesma pasta de arquivo que a selfie tirada com o Papa.


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sábado, 3 de novembro de 2018

ABERTURA DE LICITAÇÃO PARA COMPRAS - PALÁCIO DA ALVORADA



Acém peça vácuo, validade mínima março de 2019, peso total aproximado 3 arrobas – Músculo bovino dianteiro congelado, com carimbo SIF e sem gordura: 7 kg - Apresuntado Jaguaré: 2 peças de 10 kg cada - Naftalina: 6 embalagens de 20g - Polvilho Granado ou similar: 2 unidades – Cadarços pretos de coturno, padrão reforçado, numeração 39: 23 pares  - Sabão de coco: 4 pedras de 150 g - Shampoo Palmolive Jojoba: 1 embalagem 350 ml - Fubá mimoso marca Sinhá: fardo de 10 kg - Extrato de tomate: 5 latinhas de 130 g - Sardinha fresca - 3,7 kg a granel - Miojo sabores carne, galinha caipira, legumes e picanha: 2 pacotes cada - Pente fino: 1 unidade - Pente Flamengo: 1 unidade – Leite longa vida UHT caixa  12 litros marca DaTeta - Plano Vivo Pré-pago para primeiro escalão do governo (7 usuários): concorrência para avaliação da melhor proposta de cada operadora de telefonia - Sabão em pó, marca própria de atacadão: granel ou sacos 25 kg - Cartucho de impressora jato de tinta, remanufaturado e com lacre de segurança: 2 unidades (apenas black) - Fio Dentral embalagem econômica 150 metros + 30 metros grátis: 1 unidade - Papel higiênico folha simples, não-picotado, marca Fofucho: fardo 12 rolos – Raquete elétrica mata-mosquito: kit compre um, leve dois - Vinho Sangue de Boi Suave: garrafão 4,6 litros - Creme de barbear Excelsior, espuma cremosa, versão mentolada: 1 tubo 90 g - Cortador de unhas Trim: 1, tamanho pequeno - Rapadura genérica: barra 2,5 kg - Melado: litrão com rolha de cortiça - Compota de mamão verde, com cravo, raspa de canela e noz moscada: 3 potes 600 ml - Cantil de alumínio, capacidade 0,9 litro, térmico, capa em brim camuflado - Giz para taco de sinuca, azul, marca Miraboa série Premium: 3 tabletes - Lixa de calcanhar Bellefoot, número 4 (média abrasão): 4 unidades massageadoras com refil - Kit gaze, esparadrapo e merthiolate para primeiros socorros: 1 com fechamento em zíper - Jaquetão verde-oliva, segunda mão, bom estado, mínimo quatro compartimentos para apetrechos diversos: 1 modelo tamanho grande com acabamento em overloque e ilhoses na bainha – Azeitona com caroço, vidros com peso drenado 500g, procedência nacional: 2 caixas com 14 vidros cada – Preparado em pó para refresco, sabores uva e maracujá: 20 saquinhos - Palito de dente marca Ponta Firme, lavável e reutilizável: fardo grande com 160 caixas, data de validade indeterminada ou no mínimo até o final do mandato. 





Esta é uma obra de ficção. Oremos para que não seja tão ficção assim.

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Imagem: gina.com.br


sábado, 27 de outubro de 2018

URNAS ELETRÔNICAS - VERSÃO 2.0



Na iminência do segundo turno das eleições 2018, todas as atenções se voltam para o dia de amanhã, 28 de outubro. Ou quase todas: um grupo de três deputados do chamado Centrão vem se reunindo diariamente em Brasília para elaborar um projeto, por eles tido como revolucionário, de regionalização das urnas eletrônicas para as eleições de 2022.

A proposta se fundamenta na possibilidade de personalizar o burocrático retratinho que aparece no visor da urna, na hora de confirmar se é aquele mesmo o processado na justiça a quem você vai entregar seu voto. 

Isso faz todo o sentido em um país continental como o nosso, segundo o autor do projeto. De acordo com ele, um sujeito de paletó, gravata, abotoadura e sapato de pelica está para o agreste nordestino da mesma forma que um canguru está para o Cazaquistão. A ideia é ambientar o postulante ao Senado, à Câmara ou à Presidência a cada realidade específica.

Assim como nos comícios o candidato assume, natural ou postiçamente, um certo "sotaque" da localidade onde está armado o palanque, é justo e coerente que a mesma empatia possa se estabelecer também na cabina indevassável.

O projeto, em fase final de elaboração, prevê que determinado candidato presidencial, por exemplo, apareça na urna sorvendo uma fumegante cuia de chimarrão no sul, aboletado em um jegue na Paraíba, comendo biscoito Globo em Ipanema e quem sabe até como bonecão de Olinda - desde que a fisionomia do mamulengo seja suficientemente semelhante à do político, para que não haja o risco do voto ir para outra pessoa...

Em resumo, cairia a obrigatoriedade do plano fechado no rosto, podendo a foto do candidato ter toda a ambientação necessária à maior identificação deste com o eleitor da região. E mais: a customização do retrato poderia se dar de cidade em cidade, e não apenas de região em região. Ou seja, em Nhambiquara do Leste, o postulante ao Planalto poderia inserir, nas urnas eletrônicas do município, sua selfie com Véio Bié, o rei do espetinho de gato. Em Santo Inácio do Livramento, por sua vez, é quase certo que todos os concorrentes se estapeariam por uma foto abraçado à parteira Teófila, que trouxe ao mundo mais de metade da população local. 

Muitos parlamentares sustentam que a proposta é demagógica e alienante, e que sua aprovação no Congresso iria desgastar a imagem da classe política junto ao eleitorado mais crítico dos grandes centros. Já outros deputados e senadores, estes em maior número, não só se declaram entusiastas da ideia como propõem também a possibilidade de mensagens de vídeo dos candidatos em lugar da estática fotografia, numa derradeira tentativa de convencer – literalmente na boca da urna - o eleitor ainda indeciso. 



Esta é uma obra de ficção
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sábado, 20 de outubro de 2018

EM QUE POSSO AJUDÁ-LO?



- O senhor vai me desculpar, mas sem o carimbo do Moreira não tem jeito.
- E o Moreira não está?
- Não.
- E o carimbo dele?
- O senhor me respeite. Olha o desacato ao servidor...
- Vai me dizer que o Moreira leva o carimbo quando sai da repartição? Olha só, tem um carrossel lotado de carimbos aí do seu lado. Será que o do Moreira não está aí, não?...
- Bom, enquanto isso vamos vendo os outros documentos. Trouxe o DIRC atualizado da Paresp?
- DIRC da Paresp... DIRC da Paresp... Tá na mão. E quitado antes do vencimento.
- Só que tem uma coisa... esse adendo da minuta ainda não foi averbado na Junta.
- Não entendi.
- O Benê do guichê 11 vai explicar direitinho pro senhor. Mas já vou lhe adiantando que tem que voltar até o 8º Cartório e reconhecer de novo a firma do antigo proprietário. Essa aqui não vale mais. Então, é melhor fazer o seguinte: antes de ir pro guichê 11 o senhor vai até o terceiro andar e fala com a Wilma. Saindo do elevador, primeira à esquerda, primeira à direita, de novo à direita e o senhor vai dar de cara com uma salinha verde, que tem um bebedouro quebrado.
- Sei, debaixo de um calendário da Seicho-No-Iê. Estive lá na semana passada.
- Isso. É só pegar a senha e aguardar ser chamado.


II

- Eu vou lhe dar um protocolo da requisição. O senhor leva até o Denorf e solicita a emissão do Nada Consta da Delegacia Fazendária. Não demora muito, não.


III

- Bons antecedentes, ok... Certidão Negativa de Débito, ok... habite-se, registro do inventário, 2 fotos 3x4. Mas eu preciso também do requerimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e os últimos cinco boletos do ISSQN, comprovando o recolhimento. É que antes da homologação do prontuário, o DPTS pede o formal de partilha em duas vias. Até julho do ano passado podia fazer por procuração, só que agora o cartório está exigindo a presença da pessoa.
- Mas ele mora em Muzambinho...


IV

- Aparentemente só estão faltando o número do PIS Pasep do inventariante e uma cópia frente e verso autenticada do ITBI pra poder dar baixa. Caso contrário não é possível correr com a papelada.
- Mas quando eu vim aqui da outra vez aquele senhor de óculos ali me disse que uma segunda via da...
- Não, não. De jeito maneira. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. A petição tá certa, mas precisa constar uma ressalva prevendo o usufruto da viúva.
- E essa instrução normativa para unificação de cadastro?
- Isso aí pode levar embora porque não vai servir pra nada. O senhor me providencie um termo de responsabilidade, com assinatura de três testemunhas. É só disso que eu preciso, trazendo até segunda-feira pra mim tá bom. Agora, veja bem, isso aqui é a minha parte, entendeu? No guichê 14 vão informar ao senhor como dar entrada no pedido pra saber em qual jurisdição do CASP esse DERC deve ser encaminhado.


V

- Meu amigo, eu não estou autorizado a emitir o TCF sem a apresentação do canhoto do D.O.R. Além disso, olha só, tá faltando a rubrica do perito técnico. Outro dia mesmo apareceu um cidadão aqui com um caso parecido com o seu.
- Bom, resumindo...
- Só na Secretaria, das quinze e trinta às dezesseis e quarenta. E traga também um atestado de saúde.
- Ah, isso com certeza não precisa. Se eu não morri até agora correndo atrás disso tudo, é sinal que a minha saúde tá ótima.
Estava enganado, coitado. Cinco minutos depois, enquanto corria ofegante do guichê 7 para o 18, teve um mal súbito e morreu. O sub-escrevente adjunto adiantou-se e proclamou:
- Ninguém faz nada, ninguém toca no morto enquanto não sair o Alvará de Liberação do corpo. Mas já vou avisando que o Edmilson, que cuida disso, está de licença-prêmio e só volta daqui a seis dias.



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sábado, 13 de outubro de 2018

CACHORRO COM LINGUIÇA




Ninguém aguenta mais tanta carestia, onde é que esse mundo vai parar? O preço da linguiça está pela hora da morte, e daqui a pouco não teremos mais como amarrar nossos cachorros. A guia da Lilica, que chegou a ter 15 gomos no tempo das vacas gordas, diminuiu para 12, depois para 10 e agora está com 7 míseros nacos de linguiça toscana. Não demora muito e terei que andar curvado quando for levá-la para passear!

Aí, no futuro, sei que vocês usam essa expressão "do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça" quando querem se referir a uma época de bonança e fartura sem fim, em que todo mundo confiava em todo mundo, em que não havia maldade entre as pessoas, em que tudo era bom, fresquinho e a preço de banana - inclusive a banana, que no futuro eu estou sabendo que custa os olhos da cara. 

Mas, por favor, não diminuam o nosso infortúnio, dizendo que aqui nesse retrógrado passado era tudo maravilhoso. Não era. Quer dizer, não é, porque eu ainda vivo aqui e falo com conhecimento de causa. Fora que o uso veterinário desse embutido seboso pode trazer funestas consequências para a saúde dos animais. Loucos por linguiça, não são poucos os casos de canjiquinha, ou neurocisticercose, acometendo os cães quando da ingestão da carne de porco crua. 

Na eventualidade do cão ser bem comportado e indiferente à linguiça, ele pode, quando preso, sofrer ataque de vira-latas famintos, que se regalam com a iguaria ao mesmo tempo em que libertam o totozinho para os perigos da rua.

Não é exagero dizer que o hábito, tido como nostálgico por vocês, é na realidade causa de transtornos sociais para nós. Assim, peço que parem de afirmar asneiras, chamando de bom e saudoso um contexto tão problemático e cheio de perigos, tanto para os cachorros quanto para seus donos. Aproveito para deixar sugestões que substituam a expressão por outras com o mesmo sentido, porém menos mentirosas: "Bons tempos em que só a pedra era lascada", por exemplo.  



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sábado, 29 de setembro de 2018

FÁBRICA DE NUDES




Eu não vou te estuprar, dona. Só quero que tire a roupa devagarinho, mas juro por todos os meninos do meu barraco que não vou relar um dedo na sua pessoa, tá me entendendo? Eu sou contra esse negócio de ganhar na porrada, na ameaça, no cano do três oitão, sabe como é?

Então, agora é só ir me obedecendo que em dois minutos tá dispensada. Te devolvo sem um arranhãozinho, sem um descascado no esmalte da unha.

Me dá o celular. Isso, com calma, não precisa tremer, vai abrindo a bolsa. Nenhum movimento brusco, me faça essa gentileza. Não gosto de violência, não quero ser bruto com a senhora, de jeito nenhum.

Sabe, dona, desse momento eu só quero lembrança boa. Os meninos lá no meu barraco estão com uma fome do cão, mas isso não me dá o direito de sair matando pra conseguir um dinheirinho - o pouco que baste pra que a barriga deles ronque um pouco menos. O que eu ganho é pro gasto, não sou ambicioso, longe de mim querer ficar rico fazendo isso. É só pros mantimentos, mesmo.

Outros tempos, dona, tem que ter bons modos na contravenção. O ladrão cidadão, sabe como é? Ser respeitoso com a vítima, que é o nosso ganha-pão. É a minha divisa, meu jeito de lidar com esse mundo aí, carente de valores.

O sutiã também, faz favor. É. Fique envergonhada não, tô acostumado já. E é do jeito que eu falei, só quero uma lembrança da minha estima pela senhora.

Olha, vamos fazer uma coisa, pra te deixar mais à vontade eu fecho a porta do mictório enquanto você tira tudo. Quando estiver pronta, é só me chamar e abrir o trinco, tá combinado? Repito e prometo que não vou te encostar a mão, pode confiar. 

Isso... dá um sorriso sensual agora, faz de conta que está tudo bem. Agora só um instante que eu vou enviar a fotinho descontraída da senhora pro meu e-mail, de recordação... pronto, tudo certo, sem sofrimento pra ninguém, que assim é bem melhor. 

Por favor, aguarde meu contato. A gente vai se falar bastante daqui pra frente. Mas fica tranquila que a senhora não vai mais precisar olhar pra minha cara nunca mais, basta que siga direitinho as minhas instruções.

Muito bem, agora pode vestir a roupa. E o celular aqui, tô devolvendo pra senhora, não vou querer levar. Não acho certo a gente ficar com o que é dos outros. Só boas lembranças, isso sim é o tesouro mais valioso que a gente leva dessa vida. A senhora não acha?





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sábado, 22 de setembro de 2018

BARBA, PRA QUE (NÃO) TE QUERO



O Paulo Coelho sem cavanhaque, o Roberto Carlos de barba, o Sigmund Freud imberbe e com rosto de bumbum de neném. De adorno facultativo, a barba (ou a sua falta) não tem nada: ela compõe a personalidade de maneira marcante. 

Mas dá trabalho. E difícil é saber o que é mais cansativo - manter o rosto liso ou a barba no esquadro e na altura desejada. Felizmente, soluções redentoras estão chegando ao mercado.

Uma delas é um preparado que entope os folículos pilosos, impedindo o crescimento de pelos. O processo é irreversível. Nunca mais o sujeito que fizer essa laqueadura capilar verá nascer uma penugem que seja no seu rosto. Tudo muito prático, rápido e definitivo, poupando preciosos minutos diários aos não-lenhadores.

Já o tônico batizado de "Parejá" no nordeste, e exportado como "StopNow" para 19 países, promete efeito ainda mais revolucionário. Uma vez aparada a barba na altura e com os contornos bem definidos, o camarada besunta a fórmula no rosto como se fosse uma loção. Pronto. O que está ali assim ficará até o final dos tempos, sem branquear nem exigir tosa futura. Foram décadas de pesquisas com caucasianos, afrodescendentes e asiáticos, de barbas espessas e ralas, em tons brancos, grisalhos, castanhos ou amarelados pela velhice. O resultado foi o mesmo - independente de etnia, dieta alimentar, dosagem hormonal ou herança genética. Comprovadamente, a barba ficava para sempre ao gosto do freguês. 

Como não poderia deixar de ser, os dois tônicos milagrosos foram comprados e patenteados por poderoso grupo multinacional. O fato inusitado, nessa história toda, é que parte dos acionistas da empresa estuda com carinho a possibilidade de retirar do mercado as duas minas de ouro. Isso porque há uma proposta trilionária, oferecida pela Gillete, que literalmente irá cortar pela raíz o sucesso crescente dos produtos, dando sumiço nas duas fórmulas. 



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Este texto é obra de ficção.

Imagem: fontedasaude.org